O Livro dos
Mortos
O Inicio
“Após a explosão
tudo ficou claro, e mais tarde enevoado, o brilho foi intenso e uma onda de
choque arrastou tudo ao meu redor, do seu centro se levantou um dragão de fogo
e onde soprava tudo se consumia, era o fim, o inicio da desolação que afundaria
toda a humanidade consumida pela sua corrupção e depravação.”
Meu café havia
sido rápido naquela lanchonete onde sempre parava para tomar um suco e comer um
salgadinho bem gorduroso com maionese e um suco de laranja pra engolir aquela
bomba calórica. Somente depois de fazer a parada habitual e estar preparada
para sair quando subitamente as luzes se apagaram e tudo que estava ligado
também, conferi meu celular, e também estava desligado tentei religar e nada,
tinha certeza que a bateria estava carregada porque havia deixado a noite toda
recarregando, senti um forte vento vindo do oeste, e virei meu olhar nessa
direção, vi uma massa de fogo se levantando longe dali, liguei a moto
rapidamente pra tentar me afastar dali, quando o choque chegasse ia ser
desagradável o estrago, gritei para as pessoas dentro da lanchonete, “se
protejam!” e sai depressa de perto das bombas de combustível do posto, senti
uma onda quente me empurrando, e alguns carros que estavam na pista forram
arrastados pela onda de choque, o barulho foi ensurdecedor a moto se chocou
contra os carros que entraram na contramão para tentar se distanciar da
explosão, vi carros lançados no ar como folhas de papeis, o posto atrás de mim
se incendiou lançando para o ar uma língua de fogo de aproximadamente uns dez
metros, cai no chão e fui arrastada até o guarda vida na beira da estrada,
consegui me segurar até que a onda de choque passou, as escoriações estavam
doendo, mesmo com a roupa de couro que usava quando estava pilotando a moto,
ser arrastada por quase dez metros de asfalto, não oferece muita proteção, os
carros que levantaram no ar foram caindo e algumas explosões aconteciam no
decorrer, olhei para o lugar onde deveria existir o posto e a lanchonete,
parecia o próprio inferno, e no horizonte via aquela formação parecendo um cogumelo gigante incendiado.
“Meu Deus o que
é isso?”, estava tremendo, não de frio, porque o calor era intenso, mas de
pavor, olhei a minha volta a procura de alguém, tudo a volta estava em chamas,
carros carbonizados e tudo o mais que havia dentro, não ousei me aproximar
deles, minha moto também sumiu em meio o mar de chamas, o único caminho era
pela lateral da estrada, e o lugar mais próximo se encontrava em
aproximadamente quinze quilômetros, seria uma longa caminhada.
Comecei a sentir
formigamentos pelo corpo principalmente nos lugares que estavam descobertos com
os rasgos ocorridos quando deslizei pela pista, meus olhos ardiam, a fumaça e o
calor não davam pausa, tentei ir o mais distante pelo acostamento, e em partes
que davam para se ir pela grama lateral a utilizava.
Quanto mais
avançava mais destruição via, e na medida do caminho encontrei muitos corpos e
entre eles procurava sobreviventes, encontrei alguns, os quais imploravam por
uma morte rápida, pois não tinham condições de prosseguir, mas consegui reunir
aproximadamente dez pessoas comigo em péssimo estado, eu também não me
aguentava mais, era possível ver a distância que o lugar onde estava a cidade
subia rolos de fumo negro.
Ao se aproximar
encontrei o caos, o chão repleto de corpos, pessoas sangrando e uma multidão de
pessoas tentando encontrar abrigo e se afastando dos locais onde ainda ocorriam
desabamentos, era impossível encontrar socorro ou qualquer tipo de ajuda em
meio a isso. Eu e as outras pessoas acompanhamos a multidão.
Estava uma
batalha constante em se manter firme e não cair em meio ao cortejo, que ia por
vezes diminuindo e aumentando no meio do caminho, perdi de vista as pessoas que
tinha chegado comigo, mas não estava em condições de me preocupar com eles
agora, um prédio começou a ruir próximo, tentei me apressar e se espremer entre
as pessoas que passavam por uma espremida rua, um pouco a frente estava a estação
de metro, mas não era possível entrar, havia muitas pessoas pelo lado de fora,
a cidade se encontrava entre entulhos mas algumas construções resistiam e era
arriscado permanecer no relento, pois ali pairava um nevoa intoxicante, que
começara a notar agora que meus olhos estavam menos castigados pelas chamas,
segui com algumas pessoas para além da estação a procura de algum lugar que
ainda estava conservado da explosão.
Tive um lampejo
de intuição, olhei a volta em busca de uma tampa metálica no asfalto, chamei
alguns a minha volta, “me ajude com esta tampa do bueiro.”, um deles torceu um
pouco o nariz, mas logo estava no lugar que havia indicado, com um pouco de esforço
conseguimos levantar a tampa, olhei para o interior, o cheiro não era agradável,
e a claridade da tampa aberta foi possível observar um pouco do interior, não
era tão assustador. Comecei a descer a escada, e olhando a frente notei que alguns
locais eram parcamente iluminados com a luz vinha das entradas gradeadas que
davam nas ruas, esse local parecia um antigo sistema de esgoto, que agora
somente era utilizado para escoamento da água da chuva.
Pedi ao último a
entrar que fechasse a tampa logo que começou a descer a escada, percebi que não
havia risco de explosão quando lembrei de tomar as medidas de segurança ao se
entrar em locais fechados, mas enfim não havia cheiro de gás no local, com as
chamas acima era somente questão de tempo para que os dutos de gás explodam no
caso de um vazamento.
Seguimos pelos túneis,
a noite logo chegaria e poderia dar algum alivio aos meus pés e feridas que
ardiam a cada passo dado.
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