sábado, 27 de abril de 2013


O Livro dos Mortos

O Inicio


“Após a explosão tudo ficou claro, e mais tarde enevoado, o brilho foi intenso e uma onda de choque arrastou tudo ao meu redor, do seu centro se levantou um dragão de fogo e onde soprava tudo se consumia, era o fim, o inicio da desolação que afundaria toda a humanidade consumida pela sua corrupção e depravação.”

Meu café havia sido rápido naquela lanchonete onde sempre parava para tomar um suco e comer um salgadinho bem gorduroso com maionese e um suco de laranja pra engolir aquela bomba calórica. Somente depois de fazer a parada habitual e estar preparada para sair quando subitamente as luzes se apagaram e tudo que estava ligado também, conferi meu celular, e também estava desligado tentei religar e nada, tinha certeza que a bateria estava carregada porque havia deixado a noite toda recarregando, senti um forte vento vindo do oeste, e virei meu olhar nessa direção, vi uma massa de fogo se levantando longe dali, liguei a moto rapidamente pra tentar me afastar dali, quando o choque chegasse ia ser desagradável o estrago, gritei para as pessoas dentro da lanchonete, “se protejam!” e sai depressa de perto das bombas de combustível do posto, senti uma onda quente me empurrando, e alguns carros que estavam na pista forram arrastados pela onda de choque, o barulho foi ensurdecedor a moto se chocou contra os carros que entraram na contramão para tentar se distanciar da explosão, vi carros lançados no ar como folhas de papeis, o posto atrás de mim se incendiou lançando para o ar uma língua de fogo de aproximadamente uns dez metros, cai no chão e fui arrastada até o guarda vida na beira da estrada, consegui me segurar até que a onda de choque passou, as escoriações estavam doendo, mesmo com a roupa de couro que usava quando estava pilotando a moto, ser arrastada por quase dez metros de asfalto, não oferece muita proteção, os carros que levantaram no ar foram caindo e algumas explosões aconteciam no decorrer, olhei para o lugar onde deveria existir o posto e a lanchonete, parecia o próprio inferno, e no horizonte via aquela formação parecendo um  cogumelo gigante incendiado.
“Meu Deus o que é isso?”, estava tremendo, não de frio, porque o calor era intenso, mas de pavor, olhei a minha volta a procura de alguém, tudo a volta estava em chamas, carros carbonizados e tudo o mais que havia dentro, não ousei me aproximar deles, minha moto também sumiu em meio o mar de chamas, o único caminho era pela lateral da estrada, e o lugar mais próximo se encontrava em aproximadamente quinze quilômetros, seria uma longa caminhada.
Comecei a sentir formigamentos pelo corpo principalmente nos lugares que estavam descobertos com os rasgos ocorridos quando deslizei pela pista, meus olhos ardiam, a fumaça e o calor não davam pausa, tentei ir o mais distante pelo acostamento, e em partes que davam para se ir pela grama lateral a utilizava.

Quanto mais avançava mais destruição via, e na medida do caminho encontrei muitos corpos e entre eles procurava sobreviventes, encontrei alguns, os quais imploravam por uma morte rápida, pois não tinham condições de prosseguir, mas consegui reunir aproximadamente dez pessoas comigo em péssimo estado, eu também não me aguentava mais, era possível ver a distância que o lugar onde estava a cidade subia rolos de fumo negro.
Ao se aproximar encontrei o caos, o chão repleto de corpos, pessoas sangrando e uma multidão de pessoas tentando encontrar abrigo e se afastando dos locais onde ainda ocorriam desabamentos, era impossível encontrar socorro ou qualquer tipo de ajuda em meio a isso. Eu e as outras pessoas acompanhamos a multidão.
Estava uma batalha constante em se manter firme e não cair em meio ao cortejo, que ia por vezes diminuindo e aumentando no meio do caminho, perdi de vista as pessoas que tinha chegado comigo, mas não estava em condições de me preocupar com eles agora, um prédio começou a ruir próximo, tentei me apressar e se espremer entre as pessoas que passavam por uma espremida rua, um pouco a frente estava a estação de metro, mas não era possível entrar, havia muitas pessoas pelo lado de fora, a cidade se encontrava entre entulhos mas algumas construções resistiam e era arriscado permanecer no relento, pois ali pairava um nevoa intoxicante, que começara a notar agora que meus olhos estavam menos castigados pelas chamas, segui com algumas pessoas para além da estação a procura de algum lugar que ainda estava conservado da explosão.
Tive um lampejo de intuição, olhei a volta em busca de uma tampa metálica no asfalto, chamei alguns a minha volta, “me ajude com esta tampa do bueiro.”, um deles torceu um pouco o nariz, mas logo estava no lugar que havia indicado, com um pouco de esforço conseguimos levantar a tampa, olhei para o interior, o cheiro não era agradável, e a claridade da tampa aberta foi possível observar um pouco do interior, não era tão assustador. Comecei a descer a escada, e olhando a frente notei que alguns locais eram parcamente iluminados com a luz vinha das entradas gradeadas que davam nas ruas, esse local parecia um antigo sistema de esgoto, que agora somente era utilizado para escoamento da água da chuva.
Pedi ao último a entrar que fechasse a tampa logo que começou a descer a escada, percebi que não havia risco de explosão quando lembrei de tomar as medidas de segurança ao se entrar em locais fechados, mas enfim não havia cheiro de gás no local, com as chamas acima era somente questão de tempo para que os dutos de gás explodam no caso de um vazamento.
Seguimos pelos túneis, a noite logo chegaria e poderia dar algum alivio aos meus pés e feridas que ardiam a cada passo dado.

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